sábado, 29 de janeiro de 2011

Grande Rio 1992 - Águas Claras Para Um Rei Negro




**Campeã do Grupo de Acesso A 1992**



Presidente: Jayder Soares
Carnavalescos: Lucas Pinto e Sônia Regina

(Logo não oficial Grande Rio 92 - Arte: Adalmir Menezes)




Introdução:

O Carnaval como manifestação popular é uma das mais importantes festas mantidas em nosso calendário folclórico de tradições.
Nosso trabalho antes de mais nada foi elaborado na mais pura essência de respeito a essa festa e a esse povo pela situação em que nós todos componentes desse mesmo povo estamos passando, estamos lançando o enredo "Águas claras para um rei negro"

Objetivo do enredo:
Nosso enredo tem como objetivo fazer ressurgir no interior da cada indivíduo o patriotismo existente em todo o cidadão que ama sua terra e espera dela o melhor para si e para seu semelhante.

Sinopse:
Águas claras para um rei negro é a representação de uma sagração feita ao orixá Oxalá pelos negros que, escravizados, faziam parte de uma das primeiras levas de imigrantes que nosso país acolheu.
Durante anos, os negros, quando do culto das Águas de Oxalá, clamavam a esse orixá para que aliviasse suas dores e sofrimentos e mandasse algo em seu auxílio para dar fim a tamanhas penúrias.
Muitos negros se destacaram na luta pela libertação dos escravos porém a concretização desse sonho tornou-se viável quando da assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel. Com isso a prece elevada foi então consolidada pelas bênçãos de um Rei Negro e a atitude de uma princesa branca. O tempo passou e ao atingir os cem anos da abolição, nós brasileiros festejamos e reconhecemos o ato executado por esta princesa.
Após anos de luta pela conscientização de um povo diante dessa lei devemos reconhecer que nos meandros de uma comemoração da abolição de uma raça, credo ou posição social sob o domínio de senhores e capatazes invisíveis e indizíveis.
Devido a isso, conclamamos a esse povo a numa grande festa de sagração a Oxalá - numa verdadeira procissão do samba, pedir-lhe que nos cubra de forças para que possamos não apenas sobreviver, mas nos impor como povo como seres humanos e como nação livrando-nos dos grilhões que nos mantém atados a esse pelourinho de atos sórdidos, explorações e interesses pessoais.
Águas claras para um rei negro é o grito de uma revolução atado à garganta desse povo.



Grande Rio 1992 - Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira  (Reprodução/Tv Manchete)



 

Letra do Samba:

Autor(es): G. Martins, Adão Conceição, Barberinho, Queirós, e Nilson Kanema

É hora de seguir com fé
E pedir axé, para o deus maior
Chega, de violência, sofrimento e dor
O Pelourinho ainda não findou
Para os ocultos opressores da nação
Há de vir um negro rei, para purificar
Nossa libertação com as águas de Oxalá
Sapucaí, meu quilombo (vou cantar)
Grande Rio é a bandeira (vou lutar)
Se é isto que nos resta
Vamos fazer nossa festa
Nos costumes de além-mar


Tem frutos da natureza
É bom demais (bis)
Vamos dar em oferendas
Para o rei dos Orixás


Todo mundo quer saber, quer saber
Da real libertação
O anseio de um povo
De nascer um Brasil novo
Livre dessa servidão
Será, que quem traçou nosso caminhos
Deixou outro pergaminho pra nova libertação
Voa divina pomba da paz, igualdade vê se traz
Para todos eu espero
E quando esse milagre então fluir
Todos vão se juntar se produzir
Nas cores verde e amarelo
(Porque)

Para ser livre
Nunca é tarde demais (bis)
Onde há fé e esperança
A crença não se desfaz




Grande Rio 1992 - Alegoria (Reprodução/Tv Manchete)

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